O Exagerado Tamanho dos Programas - Arno Rodrigo Muller

Autor: Arno Rodrigo Muller - GSR


A situação do atual estado da arte na informática pode ser comparada com uma geladeira BRASTEMP que eu tenho. Ela funciona muito bem, o congelador é muito eficiente. A camada de gelo é tão grande que o que estiver dentro do congelador não sai e o que estiver fora não entra.

Em suma, a geladeira foi criada para alegria e felicidade do fabricante, não do comprador. Um exemplo de performance.

Por que eu não mando arrumar? Mas eu mandei! Os técnicos dizem que é assim mesmo. Como não entendo do assunto, nem eles, estou rezando para que ela estrague de uma vez para dar-lhe um certeiro ponta-pé no radiador (aquele dissipador de calor que tem atrás).

Hoje estamos assistindo passivamente à oferta de programas para computador com tamanhos descomunais. Não raro encontramos programas para computador com 300K ou mais de tamanho.

Para agüentar programas deste tamanho são necessários computadores de grande porte. Suas CPUs têm que suar, ou como se diz na gíria: "fritar ovos em cima delas".

Toda vez que me deparo com um programa deste tamanho, eu fico pensando como seria bom usar o poder de fogo das atuais CPUs para trabalhar honestamente, produzindo um bom serviço.

Esclarecendo melhor, usar a performance dos computadores para produzir bom trabalho ao invés de esconder a incompetência dos desenvolvedores de softwares.

Em uma reunião recente com fornecedores de produtos NOVELL, escutei o representante dizer que o servidor de uma determinada rede, definida como o que há de melhor para ser um "avião", precisava de 12 MB para N ETWARE, 12 MB para ROUTER, 12 MB para NETWARE FOR SAA.

Eu perguntei ao fornecedor se não havia um exagero na sua proposta. Ele respondeu que é assim mesmo e que aquilo eram tamanhos mínimos e que, apesar de o servidor ser um PENTIUM, ele não garantia que o "avião" decolasse.

Como o servidor não foi comprado com toda aquela memória, o mesmo fornecedor disse que as tarefas deveriam ser dispersas em mais de um servidor específico.

Teco-tecos à parte, felizmente naquela reunião havia pessoas de bom senso. Pode ser que nenhum dos presentes seja capaz de construir um gerenciador de rede, um roteador, um emulador de controladora SDLC-IBM, contudo, eles têm a noção do que é um "absurdo".

Por que esta situação se criou? Onde foi parar o bom senso? O que é que tornou as
pessoas insensíveis aos exageros dos fornecedores? Por que temos que engolir a
incompetência dos grandes fabricantes? Já não está na hora de virar a mesa?

Você que gosta de informática pense* no assunto para não se tornar técnico de geladeira. Fique atento para não entrar numa fria!

*Pense era uma plaquetinha para ser colocada em cima da mesa ou colocada na parede. Às vezes escrita THINK.